Com o término do evento anual de software da HP, o Universe 2010, realizado em Washington DC de 15 a 18 de junho, ficou a sensação de que a empresa acredita firmemente que o fenômeno da virtualização e, mais adiante, a adesão em massa do cloud computing, prevista pelos gurus do setor, vai colocar as soluções de gerenciamento na lista de prioridades das áreas de TI.
Na verdade, esse grupo de soluções nunca deixou de constar da relação de compras dos CIOs, mas parece que agora pode ganhar o glamour não obtido antes. O diretor de software da empresa no Brasil, Silvio Maemura, chegou a cunhar uma nova expressão para designar o bom momento dessas soluções. Em uma analogia bem humorada, o executivo batizou de ITRPs, fazendo uma relação com o fenômeno dos ERPs.
Siglas à parte, o que a HP pregou durante o evento, e que não é diferente do que seus concorrentes estão reforçando nos últimos meses, é que a chegada da virtualização e principalmente a adesão em massa do cloud computing trazem um desafio de gerenciamento e controle para as áreas de TI nunca visto antes. Maemura afirma que muitos clientes da HP no Brasil já estão vivenciando esse dilema.
Na visão da empresa, a diminuição da complexidade das áreas de TI, prometida pelo modelo virtualizado ou em nuvem, gera uma demanda por maior controle por parte dos CIOs, tanto das aplicações e soluções quanto dos próprios serviços. O desafio não estaria só para os executivos de TI, mas também para os fornecedores. As soluções de gerenciamento antes preparadas para lidar com ambientes reais, agora precisam atuar em cenários virtuais e remotos.
“Nós estamos preparados para isso”, pareceu dizer a HP ao lançar suas soluções de olho na nova demanda. A nova versão do software de gerenciamento BSM, traz a promessa de gerenciar os ambientes via web. O trabalho da HP não estará somente concentrado no desenvolvimento e aperfeiçoamento dos seus produtos, mas no casamento perfeito com a estratégia de negócios da área de software.
Software & cia
Ao avaliar estratégia, no caso da área de software da HP, a palavra integração volta ao centro do debate. Nicolo Alaimo, diretor e gerente geral da área de software da HP para a América Latina, admitiu que a empresa tem o desafio de tornar seu portfólio de software mais conhecido e integrado. Entretanto, fez questão de ressaltar que há cinco anos a área de software é a que mais cresce dentro da companhia.
Alaimo lembrou que a área de software tem hoje 3% da receita anual da HP, o que é mais, segundo ele, do que o resultado de muitas empresas de software do mercado. Para o gerente geral, os desafios desse segmento são frutos do próprio modelo de evolução da empresa, baseado em sistemáticas aquisições de produtos. Se por um lado, o processo trouxe um portfólio extenso, por outro gerou uma demanda maior de integração.
Nessa estratégia de expansão, o Brasil vem ganhando posição de destaque, ao lado de toda a região latinoamericana. A exemplo de outras empresas do setor, a HP também criou uma divisão específica para atender os chamados países emergentes. Essa importância do Brasil em termos de resultados para a corporação também se traduz em investimentos, segundo Alaimo. Mesmo sem revelar cifras, o executivo garantiu que o país e toda a região podem esperar mais investimentos da HP, tanto em plantas de manufatura quanto em centros de distribuição.
Com a cabeça nas nuvens
Mas será que os mercados de virtualização e cloud computing vão corresponder a tanta expectativa? O nível de maturidade dessas soluções hoje e o ritmo com que vão evoluir podem comprometer os planos das empresas que apostam nessa evolução? Parece que virtualização já está sendo considerada uma realidade, enquanto cloud computing ainda estaria no nível da especulação.
O que acontece é que o conceito de cloud computing é genérico e dá direito a várias interpretações. Como a TI não é uma ciência exata, cada um vai acabar adotando o cloud que lhe convêm. Para a HP, isso não parece importar, nem o tempo e nem o modelo de adoção. “Minha opinião é formada pelo que converso com nossos clientes em toda a região e estão todos muito interessados em cloud. Existe uma série de passos e eles estão investigando”, disse Alaimo.
Tudo depende muito do que chamamos de cloud computing. Já existem os conceitos de cloud pública e privada, mas ainda temos outras variações. Muitas empresas hoje já afirmam ter um ambiente em cloud computing, mas depende muito de cada implementação. “Para nós, não importa. O modelo que estamos implantando é baseado em como utilizamos esse serviço e o que precisamos para ter o controle da situação”, reforça o gerente geral de software da HP.
Outras questões não menos importantes também surgem na esteira do ambiente em nuvens. Para os que irão prover os serviços também sobram desafios. Como será a medição e a tarifação do que está sendo consumido? Nessa arena, os provedores de soluções de gerenciamento também estão de olho. “Nós também estamos preparados para organizar esse ambiente, temos como ajudar a administrar o serviço, independente do modelo”, reforça Alaimo.
Para tentar simplificar a estratégia da HP na área de software de gerenciamento, Sílvio Maemura lançou mão de uma palavra-chave: automação. “Temos que automatizar a TI”, pregou o diretor de software da HP no Brasil. Ele relembrou o termo TIRP, para reforçar sua crença no movimento que prega o gerenciamento da TI por meio de um processo robotizado. Na visão futurista do executivo, teremos “robôs de software” fazendo o monitoramento de todos os serviços. É ver, para crer.
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